Trata-se de unidade de conservação federal de proteção integral situada nos municípios Euclides da Cunha Paulista, Marabá Paulista, Presidente Epitácio e Teodoro Sampaio, todos no Estado de São Paulo, com área total de 6.677 hectares, cujos objetivos são “proteger e preservar amostras dos ecossistemas de Mata Atlântica, bem como propiciar o desenvolvimento de pesquisas científicas” (Artigo 1º do Decreto s/nº de 16 de julho de 2.002).
A ESEC Mico-Leão-Preto é formada por quatro fragmentos florestais (Água Sumida, com 1.119 hectares; Ponte Branca, com 1.306 hectares; Tucano, com 2.115 hectares, e Santa Maria, com 2.057 hectares) e é parcialmente sobreposta a Zona de Amortecimento de uma das mais importantes unidades de conservação do Estado de São Paulo, o Parque Estadual Morro do Diabo. Além disso, está incluída no perímetro da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, desde novembro de 2002.
Segundo o Plano de Manejo da U.C, “A distância total entre o centro dos fragmentos mais extremos é de 38 km, sendo que a menor distância está entre as Glebas Tucano e Ponte Branca (10 km). Cada uma das glebas sofre influências diversas do entorno, que tem configurações diferenciadas: assentamentos rurais, monocultura de cana-de-açúcar ou pasto e algumas poucas manchas de floresta”.
O relevo da região é uniforme, suave ondulado, com declividades voltadas na direção dos rios Paraná e Paranapanema. O ponto mais alto da região é o Morro do Diabo (599,5 metros acima do nível do mar).
O bioma é classificado como Floresta Estacional Semidecidual (Mata Atlântica de Interior), sendo certo que 84% dos remanescentes desse tipo de floresta no Estado de São Paulo encontram-se na região do Pontal do Paranapanema, o que explica a extrema importância da área para conservação de espécies da flora e da fauna.
FAUNA
Apesar da fragmentação e da devastação no entorno, a ESEC Mico-Leão-Dourado abriga um grande número de espécies, muitas delas ameaçadas.
MASTOFAUNA
Nos quatro fragmentos que compõem a ESEC foram registradas vinte e oito espécies de médios e grandes mamíferos, a saber: mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), bugio (Alouatta guariba), macaco-prego (Cebus nigritus), cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), lobo-guara (Chrysocyon brachyurus), onça-pintada (Panthera- onça), suçuarana (Puma concolor), gato-do-mato (Leopardus sp.), jaguatirica (Leopardus pardalis), jaguarundi (Puma yagouaroundi), anta (Tapirus terrestris), tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), tatu-peba (Euphractus sexcinctus), tatu-de-rabo-mole (Cabassous unicinctus), quati (Nasua nasua), furão (Galictis sp.), irara (Eira Barbara), cateto (Pecari tajacu), queixada (Tayassu pecari), veado (Mazama sp.), caxinguelê (Sciurus aestuans), ouriço (Sphiggurus sp./ Coendu sp.), capivara (Hydrochaeris hydrochaeris), paca (Agouti paca), cotia (Dasyprocta azarae), preá (Cavia aperea) e tapiti (Silvilagus brasiliensis).
Entre essas espécies há dezesseis que se encontram sob algum grau de ameaça de extinção.
AVIFAUNA
Consta do Plano de Manejo da U.C. que ‴Nos fragmentos que compõem a ESEC, juntamente com seu entorno, foram registradas 199 espécies. Entre elas, 90 espécies são estritamente florestais, 70 de áreas abertas e 39 generalistas. Das espécies da região listadas como ameaçadas no estado de São Paulo, 10 de 27 ocorrem em pelo menos um dos fragmentos da ESEC. E das cinco espécies na lista global da IUCN, macuco Tinamus solitarius, tirizinho-do-mato Hemitriccus orbitatus e araponga Procnias nudicollis, ocorrem na ESEC. Na outra unidade de conservação da região, o Parque Estadual do Morro do Diabo, ocorrem 25 espécies ameaçadas no estado de Sao Paulo e quatro especies da lista da IUCN. Apenas duas espécies ameaçadas não foram vistas no PEMD: cabeça-seca, Mycteria americana, que é uma espécie acidental na Região, e fruchu-do-cerradão Neopelma pallescens.
Esses dados mostram a importância dessas duas Unidades de Conservação para região e confirmam a importância do PEMD como área fonte para os outros remanescentes. Contudo, deve-se lembrar que o PEMD teve um esforço amostral maior que as outras áreas consideradas aqui, visto que ao longo de sua história essa Unidade de Conservação teve mais pesquisadores estudando a avifauna.
Fragmento Tucano
A gleba Tucano foi a que apresentou a diversidade mais alta de aves entre os fragmentos da Estação. Esse também é um dos remanescentes florestais mais diversos, levando em conta o contexto regional, e um dos que apresenta o número de espécies sensíveis mais elevado. Apesar de ter a vegetação bastante alterada (Durigan et al., 2006), essa gleba possui uma área central com floresta madura suficientemente grande que permite a permanência de várias espécies sensíveis, entre elas a araponga Procnias nudicollis, o tirizinho-do-mato Hemitriccus orbitatus e o macuco Tinamus solitarius, três espécies listadas pela IUCN. Outras sete espécies aparecem na lista de espécies ameaçadas no Estado de São Paulo: o papagaio-verdadeiro Amazona aestiva, o fruxu-do-cerradão Neopelma pallescens, a arara-vermelha-grande Ara chloroptera, o uirapuru-laranja Pipra fasciicauda, o pavo Pyroderus scutatus, o araçari-de-bico-branco Pteroglossus aracari e a pomba-trocal Columba speciosa. A espécie mais comumente observada foi o inhambu-chitã Crypturellus tataupa.
Lista das espécies de aves mais abundantes no fragmento Tucano, Pontal do Paranapanema, SP. IPA – Indice Pontual de abundancia. Nome cientifico IPA Crypturellus tataupa 1,06, Baryphthengus ruficapillus 1,02, Thamnophilus pelzelni 0,75, Lathrotriccus euleuri 0,50, Dysithamnus mentalis 0,48, Trogon surrucura 0,42, Procnias nudicollis 0,40, Columba picazuro 0,31, Sittasomus griseicapillus 0,27, Xiphocolaptes albicollis 0,17, Herpsilochmus atricapillus 0,17, Leptotila verreauxi 0,15, Dendrocolaptes platyrostris 0,15, Thamnophilus caerulescens 0,15, Chamaeza campanisona 0,15, Ramphastos toco 0,13, Trogon rufus 0,13, Celeus flavescens 0,13, Hemithraupis guira 0,13, Pyriglena leucoptera 0,13
Fragmento Ponte Branca
A gleba Ponte Branca é o outro fragmento que contém alta diversidade de aves na região do Pontal. Essa diversidade é reflexo do tamanho da gleba e da qualidade florestal desse remanescente (Durigan et al., 2006). Apresenta o numero de espécies sensíveis mais elevado, ficando atrás apenas do Parque Estadual do Morro do Diabo. Outro fator importante é sua posição geográfica, a distância que o separa da gleba Tucano (cerca de 2 km) é relativamente pequena em comparação com outros remanescentes, o que torna viável a criação de um corredor os ligando. Se as populações desses dois fragmentos fossem conectadas, o número de espécies estritamente florestais das duas áreas juntas seria entre 10 a 20% maior que as riquezas de cada um dos remanescentes sozinho. Foram observadas quatro espécies listadas como ameaçadas: araponga Procnias nudicollis, papagaio-verdadeiro Amazona aestiva, arara-vermelha-grande Ara chloroptera e uirapuru-laranja Pipra fasciicauda. A espécie mais frequentemente observada foi choca-bate-cabo Thamnophilus pelzeni. Nesse fragmento, assim como em outros da região, foram encontradas escadas feitas em troncos ocos usadas para a captura de filhotes de papagaio Amazona aestiva.
Lista das espécies de aves mais abundantes no fragmento Ponte Branca, Pontal do Paranapanema, SP. IPA – Indice Pontual de abundancia. Nome cientifico IPA Thamnophilus pelzelni 0,94, Herpsilochmus atricapillus 0,81, Columba picazuro 0,79, Baryphthengus ruficapillus 0,75, Crypturellus tataupa 0,75, Conopophaga lineata 0,73, Basileuterus culicivorus 0,69, Dysithamnus mentalis 0,65, Thamnophilus caerulescens 0,65, Herpsilochmus rufimarginatus 0,63, Leptotila verreauxi 0,52, Amazona aestiva 0,46, Picumnus albosquamatus 0,21, Cyanocorax chrysops 0,21, Myiornis auricularis 0,21, Pyriglena leucoptera 0,21, Platyrinchus mystaceus 0,21, Megarynchus pitangua 0,19, Pteroglossus castanotis 0,15 e Lathrotriccus euleuri 0,10.
Fragmento Água Sumida
A Água Sumida, apesar da sua grande dimensão, apresentou a mais baixa diversidade de aves entre os fragmentos da ESEC. Duas hipóteses podem explicar esse resultado. A primeira é o estado de degradação desse fragmento (Durigan et al., 2006), mesmo as áreas de floresta em melhor estado estão fragmentadas dentro dos limites dessa gleba, separadas por outros tipos de matas em estádios mais iniciais. Dessa forma, o esforço para recuperação dessa área deve ser maior que para as glebas anteriores. Adicionalmente, esse é um dos fragmentos do Pontal que está há mais tempo isolado, desde o período entre 1956 e 1962. Há vários trabalhos que mostram a existência de um tempo de latência entre a fragmentação e a extinção das espécies. Dessa forma, quanto mais antigo for o isolamento de um fragmento mais espécies terão sido perdidas. Assim como no fragmento Tucano, a espécie mais comum nesse fragmento foi o inhambu-chitã Crypturellus tataupa. As espécies ameaçadas observadas foram: a araponga, Procnias nudicollis, o papagaio-verdadeiro, Amazona aestiva e a arara-vermelha-grande, Ara chloroptera.
Lista das espécies de aves mais abundantes no fragmento Água Sumida, Pontal do Paranapanema, SP. IPA – Indice Pontual de abundancia. Nome cientifico IPA Crypturellus tataupa 1,08, Thamnophilus pelzelni 1,00, Columba picazuro 0,94, Leptotila verreauxi 0,67, Herpsilochmus atricapillus 0,60, Dysithamnus mentalis 0,42, Amazona aestiva 0,31, Myiornis auricularis 0,27, Columba cayennensis 0,21, Baryphthengus ruficapillus 0,19, Euphonia chlorotica 0,19, Celeus flavescens 0,19, Cyanocorax chrysops 0,17, Pitangus sulphuratus 0,17, Penelope superciliaris 0,15, Conopophaga lineata 0,15, Chlorostilbon aureoventris 0,13, Xiphocolaptes albicollis 0,13, Pionus maximiliani 0,10 e Glaucidium brasilianum 0,10
Fragmento Santa Maria
Esse fragmento apresentou uma riqueza relativamente alta, quase comparável com os fragmentos Tucano e Ponte Branca. No entanto, a densidade de espécies nessa gleba parece ser mais alta que nos outros fragmentos, visto os valores altos de IPA das espécies. Assim como para os outros fragmentos da ESEC, a alta variação da qualidade da vegetação é facilmente perceptível ao se caminhar nas trilhas e esse fator parece refletir a variação da composição de aves. A espécie mais comum na gleba Santa Maria foi a choca-bate-cabo Thamnophilus pelzeni. As espécies consideradas ameaçadas foram a araponga Procnias nudicollis, o papagaio-verdadeiro Amazona aestiva e a pomba-pedres Columba speciosa. Esse fragmento contém algumas diferenças na composição das espécies em relação aos outros. Por exemplo, essa foi a única área em que a juruva Baryphtengus ruficapillus, não foi observada, enquanto na Tucano e na Ponte Branca essa espécie é uma das mais abundantes. Contrariamente, a juruviara Vireo chivi, foi observada em alta abundância apenas na Santa Maria.
Lista das espécies de aves mais abundantes no fragmento Santa Maria, Pontal do Paranapanema, SP. IPA – Indice Pontual de abundancia. Nome cientifico IPA Thamnophilus pelzelni 1,24, Cnemotriccus bimaculatus 1,20, Conopophaga lineata 0,88, Columba picazuro 0,88, Leptotila verreauxi 0,88, Vireo chivi 0,88, Herpsilochmus atricapillus 0,80, Arremon flavirostris 0,80, Todirostrum plumbeiceps 0,72, Basileuterus culicivorus 0,52, Thamnophilus caerulescens 0,48, Crypturellus tataupa 0,44, Myiornis auricularis 0,40, Euscarthmus meloryphus 0,36, Pyriglena leucoptera 0,32, Dysithamnus mentalis 0,32, Amazona aestiva 0,28, Procnias nudicollis 0,28, Cyclarhis gujanensis 0,20 e Megarynchus pitangua 0,20.‴
Como foi formada, eventos relevantes…
Alojamentos, áreas de camping, opções para alimentação…
ICMBio – PLANO DE MANEJO DA ESEC MICO-LEÃO-PRETO
http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/imgs-unidades-coservacao/esec_mico_leao_preto.pdf